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Pacientes com diabetes tipo 2 ganham mais uma alternativa de tratamento pelo SUS

  • Publicado: Segunda, 11 de Maio de 2020, 19h16
  • Última atualização em Quinta, 25 de Junho de 2020, 13h07
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O medicamento será incorporado à rede como mais um recurso no controle dos níveis de glicose na corrente sanguínea, colaborando para prevenir e reduzir complicações da doença

Em meio às iniciativas de enfrentamento à pandemia do coronavírus, o Ministério da Saúde segue com a organização e elaboração de planos e políticas públicas voltados para a promoção e assistência à saúde dos brasileiros. Um exemplo é a atenção voltada aos pacientes com doenças crônicas. Nos próximos meses, o Sistema Único de Saúde (SUS) vai ampliar as alternativas de tratamentos disponíveis para os pacientes com diabetes mellitus tipo 2 (DM2). A dapagliflozina será incorporada à rede como mais um recurso no controle dos níveis de glicose na corrente sanguínea, colaborando para prevenir e reduzir complicações da doença.

A medida é resultado da decisão do Secretário que acatou a recomendação feita pela Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde (Conitec) após análises de estudos e contribuições recebidas por meio de consulta pública (acesse aqui o relatório completo). Hoje, no Brasil, há mais de 12 milhões de pessoas vivendo com diabetes.

Atualmente, o SUS já fornece à população opções como as insulinas humana NPH e humana regular, e os medicamentos metformina, glibenclamida e glicazida. No entanto, a dapagliflozina pertence a uma classe de medicamentos diferente das já ofertadas. Nos estudos analisados, foi verificado que, além de apresentar benefício na redução da glicose, essa tecnologia reduz a possibilidade de ocorrer eventos cardiovasculares, como infarto e demais problemas cardíacos, em pacientes que apresentam maiores riscos de desenvolvimento dessas doenças.

Essa medida alcançará os pacientes com diabetes mellitus tipo 2, com idade igual ou superior a 65 anos e doença cardiovascular estabelecida que não conseguiram controle adequado em tratamento realizado com recursos já disponíveis na rede pública de saúde.

“Vai ser um ganho muito grande para a população que tem diabetes tipo 2 porque esse medicamento consegue diminuir a circulação de açúcar no sangue e isso faz com que diminua bastante a glicemia das pessoas”, afirma Vanessa Pirolo, coordenadora de Advocacy na ADJ Diabetes Brasil. Há 40 anos, a Associação de Diabetes Juvenil presta atendimentos e atividades gratuitas para quem tem diabetes. “Gostaríamos que a medida fosse estendida para todas as pessoas com diabetes tipo 2, em todas as categorias, mas respeitamos o posicionamento do Ministério da Saúde”, concluiu.

Para a advogada e ativista em diabetes, Débora Aligieri, é a chance para que muitos pacientes tenham suas necessidades atendidas de forma gratuita e devida, como preconiza o SUS. “É a universalização do acesso. Você torna o medicamento acessível para toda e qualquer pessoa que preencha os critérios estabelecidos pelo Ministério da Saúde”, menciona. “Aqui em São Paulo, não tínhamos protocolos regionais para o fornecimento dessa medicação. Algumas pessoas conseguiam acesso via pedido administrativo, conforme suas particularidades, mas sem garantia de acesso. Agora, está no protocolo do SUS, de forma transparente, para atendimento da demanda necessária”, esclarece.

A Conitec também analisou a viabilidade da oferta de empagliflozina, mas os estudos avaliados mostraram que os dois medicamentos apresentam resultados semelhantes e, por isso, a recomendação pela inclusão no SUS da alternativa com menor preço, a dapagliflozina.

Dados do Ministério da Saúde revelam que, juntamente com o câncer e as doenças cardiovasculares e respiratórias, a diabetes é responsável por 80% da mortalidade por doenças crônicas.

Saiba mais

A diabetes mellitus tipo 2 é uma doença caracterizada por altos níveis de açúcar no sangue, causada pela falha na ação do hormônio insulina, que regula a quantidade de açúcar no organismo. Esse tipo representa cerca de 95% dos casos de diabetes e está associada, principalmente, ao excesso de peso, maus hábitos alimentares e sedentarismo.

Informações da Sociedade Brasileira de Diabetes sinalizam que, nos estágios iniciais, muitos pacientes se mantêm assintomáticos, sendo a doença nesta fase detectada apenas por meio da avaliação laboratorial de rotina. Também esclarecem que os remédios podem ser modificados ao longo do tempo, de acordo com a idade e com o comportamento da taxa de glicemia dos pacientes. Há casos em que o controle glicêmico só é obtido com injeções de insulina, de forma que algumas pessoas necessitam receber esta substância ao mesmo tempo em que fazem uso de medicamentos.

Diabetes no Brasil e no mundo

De acordo com a International Diabetes Federation (IDF), a prevalência mundial de diabetes mellitus é de 8,8%, o que significa que há 415 milhões de pessoas vivendo com a doença em diferentes partes do globo. E dessas, a metade não sabe que tem a doença. Projeções apontam que em 2040 serão 642 milhões de pessoas. A mesma organização coloca o Brasil no quarto lugar no ranking mundial, com mais de 12 milhões de pessoas vivendo com diabetes.

Consulta pública

As contribuições enviadas durante a consulta pública apontaram para questões como a efetividade das tecnologias (empagliflozina versus dapagliflozina) e a ampliação do uso da tecnologia para todas as faixas etárias, por exemplo. Em 20 dias, entre 14 de janeiro e 3 de fevereiro de 2020, foram recebidas mais de 3,5 mil contribuições, sendo a maioria delas sobre a experiência ou opinião de profissionais da saúde e pacientes.

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